Autor Tópico: É assim que se começa...  (Lida 3865 vezes)

GLFaria

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É assim que se começa...
« em: Quarta, 04 de Junho, 2014, 23:36:36 pm »
Em minha casa, o local preferido do meu neto de 32 meses é o quarto a que pomposamente chamo a minha oficina. Desde que começou a andar sempre gostou de mexer na bancada Black & Decker. Tem autorização para ir buscar às gavetas um certo número de ferramentas em que pode mexer (chaves de bocas, alicates, limas, aparafusadora...). E o prato favorito é - ao meu colo ou em pé num banquinho que ele próprio vai buscar - sempre sob supervisão, ligar e desligar o engenho de furar.

Quando quer ir bricar com as ferramentas, declara que quer "ir trabalhar"...

Claro, é indispensável ir-lhe ensinando as regras da segurança (a fotografia não foi tirada para o fórum, mas lembrei-me dela agora, e como não há maneira de isto andar para a frente...)

mbernardes

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Re: É assim que se começa...
« Responder #1 em: Quinta, 05 de Junho, 2014, 12:50:10 pm »
Muito bom!

As minhas filhas (que agora teem 4 anos) se me ouvem a falar em ir para a garagem, são as primeiras a correr para a porta, teem o seu conjunto de ferramentas que costumam usar para "arranjar" os brinquedos, se forem para a garagem comigo viram logo os triciclos ao contrario hehe pior é quando se lembram de andar a escavar com as chaves de fendas...

Muito bem Faria, a miudagem agora já não sabe fazer nada, é bonito ver o interesse do petiz e a paciencia do avô para o ir ensinando :D

pajo

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Re: É assim que se começa...
« Responder #2 em: Sábado, 07 de Junho, 2014, 00:20:58 am »
Viva companheiros ;)

Também eu confesso que sou um "massacrado" com a minha sobrinha (7 anos).

Também vai comigo para a garagem e geralmente adora limpar as aparas do engenho de furar, com cuidado porque já se cortou uma vez. O problema é quando quer que eu lhe ensine a fazer alguma "coisa".

Um dia destes estava já tão farto de que ela me levasse as ferramentas que eu estava a usar que lhe coloquei uma tabuinha no torno e fui buscar a plaina manual para ela se entreter :o.

Desfez a tábua em "apararas" como ela lhe chama, foi uma tarde e tanto ;D
Eu sei!! Não se põe uma plaina na mão de uma criança de 7 anos mas ela até leva jeito e a plaina é do pai.

Também estivemos a trabalhar no projecto da "caixa de morangos" mas até as aulas terminarem não pode ser acabado.

Os meus parabéns a todos os que têm treinado ou ajudar a criar a nova geração de bricoleiros, porque cedo aprendem a "criar"
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Joliveira

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Re: É assim que se começa...
« Responder #3 em: Sábado, 07 de Junho, 2014, 20:20:30 pm »
Aproveito o tópico para deixar uma reflexão:

Há nos programas curriculares, em várias áreas, falta de uma dimensão prática. Ainda se ensina com um forte vínculo ao papel e caneta. Há falta da aprendizagem com recurso a materiais, artefactos, coisas nas quais a mexer se aprende. Uma aprendizagem que passa pelas mãos e que pela dimensão do saber fazer, do experimentar, torna tudo prático, lúdico e perceptível.
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pajo

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Re: É assim que se começa...
« Responder #4 em: Domingo, 08 de Junho, 2014, 11:01:38 am »
Concordo perfeitamente com o Joliveira!

Nos meus tempos de escola, eu ainda fui daqueles que tive disciplinas de madeiras e serralharia com a teoria e depois por a pratica em prova. ;D

Julgo que hoje já não se processa assim.
Mas também existe o ensino profissionalizante (escolas profissionais), que no meu tempo de estudante estavam a dar os primeiros passos em cursos de formação profissional.

Infelizmente (ou não? Acho que nunca vou saber!) como eu não era lá grande estudante, (gostava mesmo éra da acção) ainda andei de olho nesses cursos, mas ou eram demasiado longe de casa ou pediam habilitações que eu ainda não tinha ou eram para conseguir habilitações que eu já tinha :'(

Felizmente pareçe-me que este tipo de ensino esta muito melhor, e pelo que falo com a "rapaziada" estudante julgo que a maior parte gosta do que está a estudar, o que é bom para formar bons profissionais (assim haja trabalho)
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pajo

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Re: É assim que se começa...
« Responder #5 em: Sábado, 14 de Junho, 2014, 00:36:43 am »
Custei a achar a foto!
Estava no telele da patroa :o

Mas cá está ela mais uma "iniciada"

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GLFaria

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Re: É assim que se começa...
« Responder #6 em: Sábado, 14 de Junho, 2014, 05:09:50 am »
Muito bem.

Mas tenho duas observações importantes:
1. Cuidado com o equipamento que lhe põe nas mãos e as condições de trabalho que dá à rapariga! Aquela plaina está mesmo a pedir para lhe cair das mãos - e quando cai em cima dum pé, então um pé infantil, no mínimo dói que se farta. A minha plaina de topos, que pesa metade dessa, caiu-me em cima dum pé há algumas semanas e fez um belo buraco (eu estava descalço  :-[ ). Sujei um bocado o chão...

2. Já lhe perguntei que plaina é, mas resposta, nem vê-la. Olhando assim de longe e desfocado, parece uma Stanley #4  ou #5 ou semelhante, mas até pode ser outra coisa. Vá lá, esclareça!

pajo

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Re: É assim que se começa...
« Responder #7 em: Sábado, 14 de Junho, 2014, 20:39:02 pm »
Possas! GLFaria ???
Essa até a mim me doeu, talvez seja hora de comprar uns chinelos de biqueira de aço (estou a brincar , não me leve a mal!).

Um dia destes estava nas soldaduras e quando a "brincadeira" apresenta perigo para os pés uso uns sapatos de palmilha e biqueira de aço da Dewalt, que comprei á alguns anos, muito bons.

Descobri nesse dia que teem um ponto fraco na zona dos atacadores, uma bola incandescente queimou a bota, a meia e fez um belo furo no peito do pé.

Já com a "moça pequena" é preciso ter os dois olhos bem abertos, avisar, avisar,avisar e tentar conter os riscos.

Quanto á plaina, mil perdões, deve ter escapado a resposta.
É uma stanley #4 com uns 8 a 10 anos.
Foi comprada a um vendedor viajante de ferramentas de carpintaria e curiosamente não tam muito a ver com uma do mesmo numero e marca que estava um dia destes á venda no brico cá do lugar (aquilo metia medo, mais pareçia falsificação vinda do imperio dos mings).



 
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GLFaria

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Re: É assim que se começa...
« Responder #8 em: Domingo, 15 de Junho, 2014, 23:55:35 pm »
Já com a "moça pequena" é preciso ter os dois olhos bem abertos, avisar, avisar,avisar e tentar conter os riscos."

pajo, não chega! Por mais cuidado que tenha, ela simplesmente não tem força para a agarrar se lhe escorregar das mãos.
Uma Stanley #4 pesa à volta de 1,7kg. Se for das de pegas de plástico, escorrega que se farta, se for das de pegas de madeira escorrega menos mas também escorrega.
Uma escorregadela acontece com toda a facilidade, então com o "trabalho" aquela altura...
E se não acertar num pé mas raspar com a lâmina numa perna a coisa também não é boa.

Penso que não é muito boa ideia por nas mãos duma criança uma plaina dessas. Mas quem sou eu...

Li algures que a Stanley, depois de numa primeira fase deslocalizar o fabrico das plainas para o México, há 2 ou 3 anos deslocalizou para o lado dos Ming...