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Mensagens - GLFaria

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Ferramentas / X-Acto - o nome e a história
« em: Sexta, 13 de Julho, 2012, 01:35:10 am »
Boa noite a todos

Há uns tempos propus-me falar do nome X-Acto. Aqui vai.

Com a marca X-Acto aconteceu, em Portugal, o mesmo que com a Black & Decker há uns 40 anos. Alguns dos mais "antigos" (> 60 anos...) talvez se lembrem que, por finais dos anos 1960 ou princípios dos 1970, a B&D lançou uma campanha comercial muito forte dirigida ao mercado amador. Em resultado disso, muita gente passou a chamar a qualquer berbequim eléctrico, fosse de que marca fosse, "um Black & Decker".

Com a X-Acto aconteceu algo semelhante, embora não relacionado com qualquer campanha publicitária. Segundo li, Portugal é um dos poucos países onde qualquer ferramenta, do tipo das que em inglês se chama "utility knife", é genéricamente chamada "um X-Acto". Há alguns anos passou-se até comigo uma cena caricata numa conceituada loja de ferramentas de Lisboa onde, quando procurei peças da X-Acto, um douto empregado (bastante mais novo do que eu) me olhou com ar superior e declarou: "para já, X-Acto não é uma marca, é um tipo de ferramenta". Que podia eu fazer senão rir na cara dele?

Vamos então a uma curta história da genuína X-Acto.

A companhia X-Acto foi fundada em Nova York por um emigrante polaco de nome Sundel Doniger. A empresa começou por produzir seringas e outro equipamento hospitalar. No início dos anos 1930 começou a produzir lâminas cirúrgicas de precisão, que eram montadas num cabo especial que permitia utilizar uma variedade de lâminas intermutáveis. Doniger tinha pensado vender este produto a cirurgiões, mas o produto não foi aceite por ser muito difícil de limpar e manter limpo.

Segundo reza a história, a ferramenta X-Acto que tornou famosa a companhia foi criada quando um publicitário ao serviço da X-Acto necessitou de uma ferramenta para fazer retoques em peças publicitária. Doniger terá projectado uma ferramenta a partir do esboço feito por este seu empregado. Um seu cunhado sugeriu que poderia ser um bom produto para o mercado das artes gráficas, e o produto foi tão bem aceite que a X-Acto o passou a produzir em grande escala.

Na sequência deste sucesso a X-Acto lançou-se no projecto e produção de uma variedade de ferramentas e instrumentos especificamente destinados ao mercado das maquetes e do modelismo. Estes produtos podiam ser comprados isoladamente ou em conjuntos contidos em caixas ou armários produzidos propositadamente para este fim. Ao longo da vida da empresa Doniger obteve várias patentes relativas a produtos da linha X-Acto e outros produtos.

Em 1971 a companhia X-Acto, Inc. foi comprada pela CBS, Inc, que em 1981 a revendeu à Hunt Corp. Em 2004 a Hunt fundiu-se com a Elmer's Corporation, de Columbus, Ohio, dando origem à Elmer's Products, Inc., de cuja linha de productos a X-Acto faz actualmente parte. ( http://xacto.com/products/cutting-solutions.aspx )

Algumas imagens (que espero caibam na mensagem):
- o logotipo original da X-Acto
- a mais clássica de todas, a X-Acto #1 com a lâmina #11
- um mostruário X-Acto dos anos 60 (fotografia obtida no número de Março de 1965 da revista Model Car Science)
- fotografia de um armário dos anos 1940 (#89 Tool Chest - infelizmente muito vandalizado por mim e pelos meus irmãos ao longo do tempo) que herdei do meu avô . As ferramentas, incluindo o berbequim manual, aliás muito ordinário, são originais da X-Acto. Vê-se também na fotografia uma caixinha original de ferramentas X-Acto que os meus pais me deram pelos meus 15 anos.
- uma embalagem original de lâminas #27

E pronto, aqui está o que na realidade é a X-Acto. É uma curiosidade que espero que achem interessante.

Mas como vamos agora chamar às tais "utility knives"? Até penso que chamar-lhes X-Acto dá jeito...

Divirtam-se

G.

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Ferramentas / Re:Scroll Saw Einhell BT-SS 405 E
« em: Sábado, 30 de Junho, 2012, 01:37:43 am »
Obrigado

Realmente, o barulho em vazio não parece muito, mas o barulho em operação já é outra coisa.

O accionamento é por excêntrico e braço oscilante, o que explica o pouco barulho em vazio quando comparada com a que tive (que fazia tanto barulho em vazio como em carga, e era ensurdecedor...)

Descarreguei da internet o manual de instruções (em português!...), e recomendam a utilização de protecção auditiva (valores em carga: LpA = 82,6dB; LWA = 95,6 dB ; não é exactamente baixo...)

Seja como for, parece interessante. Fico com a informação como referência - para quando me puder dar ao luxo de comprar uma (pelas perspectivas nacionais, não será tão cedo...), porque será sempre só para divertimento.

G.

843
Ferramentas / Re:Scroll Saw Einhell BT-SS 405 E
« em: Terça, 26 de Junho, 2012, 15:18:32 pm »
Ah, desculpem, esqueci-me.
O termo português para "jig" é "dispositivo". Parece um pouco genérico, mas é mesmo assim
(na metalomecânica de precisão, em que há muitos anos trabalhei, havia três palavras que vinham sempre umas a seguir às outras - ferramentas, dispositivos, e calibres. Impossível esquecer...)

G.

844
Ferramentas / Re:Scroll Saw Einhell BT-SS 405 E
« em: Terça, 26 de Junho, 2012, 15:11:19 pm »
Bom dia

Um pouco atrasado para entrar neste tema, mas só agora dei por ele.

Que tal é esta serra, ou outras de fabrico actual, sob o ponto de vista barulho?

O meu pai tinha uma dos anos 1940 ou 1950 da qual, com muita pena, tive que me desfazer porque era impossível trabalhar com ela num andar, tal era o barulho que fazia (o movimento era por bobina magnética com um núcleo oscilante)

Obrigado

G.

845
Projectos, Plantas e Orçamentos / Re:[AJUDA] extracçao de fumos
« em: Terça, 19 de Junho, 2012, 10:08:48 am »
Obrigado, é interessante saber desse potencial problema das girândolas, vou estudá-las um bocadinho para aprender mais sobre o tema (não preciso de instalar uma, mas é sempre bom aprender...)

Quanto à ventilação da minha casa de banho interior, não é simples. Resolvi o problema de uma forma pouco elegante mas que funciona - um exaustor centrífugo próprio para casas de banho, com palhetas que se fecham quando não está a funcionar. Barulhento (inevitável, suponho: a conduta de saída só tem 100mm de diâmetro, há a pressão a vencer e o caudal necessário para renovação do ar...), mas resulta.

A dificuldade é que é um prédio do início dos anos 70, com 8 andares e várias fracções em cada andar; não se conseguiram encontrar desenhos nem na Conservatória (a época em que foi construido era conturbada...), os tubos de ventilação das casas de banho interiores estão agrupados em vários blocos e nunca se conseguiu determinar ao certo quais correspondem a que fracção...
Embora o topo do prédio seja muito ventoso, vários proprietários (mas não todos) em diferentes andares se queixam do mesmo problema, pelo que também pode haver questões de geometria das tubagens ao longo da estrutura do prédio. Para fazer a exaustão das chaminés das cozinhas, que estão mais agrupadas, foi necessário instalar dois ventiladores enormes no topo do prédio - que, novamente, resultam para umas fracções mas não para outras, e fazem tanto barulho - novamente, só para uma parte das fracções - que só são ligados às horas em que normalmente se preparam refeições.

Obrigado
G.

846
Ideias, Truques e Dicas / Re:Problema com MURO
« em: Segunda, 18 de Junho, 2012, 17:44:56 pm »
Não quero deixar de dizer à partida que não sou competente para resolver um problema estrutural de um muro.

Mas como a situação parece desesperada - é impossivel prever quanto tempo durará o muro até cair naturalmente, mas sabe-se que vai acabar por acontecer e quando acontecer o problema pode ser muito bicudo - e como quer ideias, aqui vai.

Hipóteses "não":
Não creio que o problema se resolva tapando o muro com oleados. A terra pode fazer muita pressão (pergunte a qualquer pessoa que já tenha feito um tanque enterrado ou uma piscina) e o muro vai abaixo à mesma.

Se a valeta na estrada fosse sua propriedade - não acredito que seja - poderia pensar em enterrar estacas e cintar o muro. Mas seria complicado, custaria uma fortuna, teria riscos difíceis de controlar, e implicaria ocupação da via pública com máquinas num sítio muito complicado (porque as máquinas não poderiam ser instaladas no terreno por causa do risco de aluimento))

Só vejo uma solução, que acarreta outro tipo de complicações - provocar a queda controlada, possívelmente apenas parcial, do muro para o interior do terreno. Seria necessário começar a abrir uma vala relativamente longe do muro, de forma a reduzir a pressão neste, e pouco a pouco ir aproximando a escavação do muro - com cuidado, por um lado para evitar fazer pressão para fora, para o muro não cair para o exterior, e por outro lado para evitar que caia para dentro para cima de alguém. Haveria também que contar com as vibrações provocadas pela escavadora - só isso poderia ser suficiente para fazer cair o muro. Seria mais prudente, se possível, provocar uma queda por fases - de cima para baixo - porque à medida que a parte superior fosse abatendo a pressão no terreno iria sendo reduzida.

Tal como a vejo, a viabilidade desta hipótese dependeria de várias condicionantes - além dos aspectos legais, a distância a que fosse possível abrir a primeira vala, a altura e volume de terra a remover, a extensão a abater, etc.

Seria com certeza uma operação de risco elevado, quer humano quer material, que teria de ser estudada e executada por alguém competente e de confiança. E, mesmo contando que a queda fosse para o interior do seu terreno, seria prudente um diálogo prévio com as autoridades locais e com os bombeiros. Por isso, enjeito desde já qualquer responsabilidade numa eventual execução prática.

Mas face à situação actual é a única solução que me ocorre, e não posso deixar de lha dar.

Espero sinceramente que consiga resolver o problema.

G.

847
Projectos, Plantas e Orçamentos / Re:[AJUDA] extracçao de fumos
« em: Segunda, 18 de Junho, 2012, 15:23:54 pm »
...

Um dos grandes problemas é a altura a que fica o topo da chaminé que em muitas situações fica mais baixa que o ponto mais alto do telhado impedindo a correcta aspiração. Esta deve ficar sempre pelo menos 30 a 50 cm acima do ponto mais alto do telhado.
...

De acordo.

Também convém ver se o exterior não está excessivamente abrigado do vento ou se a circulação do ar por qualquer motivo não se faz "ao contrário" (tive um problema destes num respiradouro de uma casa de banho - o ar não saía, entrava pelo respiradouro...).

Se o sítio for mínimamente ventoso, talvez possa experimentar um daqueles extractores passivos, de formato esférico, que tantas vezes se vêem a rodopiar por cima de prédios. São feios que se fartam, mas fazem pouco barulho, são mais baratos do que um ventilador motorizado, e não gastam energia. Ao que me disseram dão boa extracção desde que a tubagem não seja muito alta - já ouvi falar de até 6 ou 7 metros - mas não tenho experiência prática. E não sei é como é que se comportam com as temperaturas de descarga de fumos de uma chaminé.

G.

848
Ferramentas / Re:Plaina Manual
« em: Segunda, 18 de Junho, 2012, 02:17:02 am »
Obrigado!

Eu tenho a noção que é uma boa ferramenta... Falta-me é prática para a usar convenientemente...

Em próximos projectos vou tentar incluí-la.

Aproveitem o fim de semana, para um bocadinho de bricolage,
Stromlinie

Um pouco atrasado, mas só agora cheguei ao fórum...
Lamento imenso desapontá-lo, as Stanley Handyman não são boas ferramentas. Mas mais vale conhecer a realidade...

A série Handyman foi comercializada pela Stanley a partir do início dos anos 70  a pensar no mercado amador (nessa altura, quando comprei a minha #4, não só não sabia nada do assunto - continuo a saber pouco - como não tinha dinheiro para mais - continuo a não ter...). São consideradas como sendo de baixa qualidade - e de facto são.

Os principais problemas/inconvenientes são os seguintes:
- é práticamente impossível encontrar uma que tenha o rasto (a "base") desempenado. Experimente encostar uma régua metálica à base da sua Handyman, longitudinalmente e em diagonal. É quase infalível que vai encostar perto dos extremos e que várias áreas, que tanto podem ser no centro como nos extremos, vão ficar "no ar". Ora, a planimetria do rasto é a caracteristica mais fundamental e absolutamente essencial de uma plaina normal (não falo de algumas especiais)
- o acabamento do rasto costuma ser um bocado áspero, com marcas de maquinagem. Sem ser tão importante como a planimetria, uma superfícia lisa reduz o esforço quando a plaina á utilizada e reduz o risco de deixar marcas na madeira - e também tem menos pontos potenciais de entrada de oxidação - lagarto, lagarto, lagarto...
- O ajuste do tamanho da boca é difícil de fazer (exige retirar o ferro, desapertar dois parafusos, e depois conseguir garantir que no fim o gume do ferro fique paralelo à aresta dianteira da boca. Faz-se, mas dá um bocado de trabalho.
- os lados, geralmente, não são perpendiculares à base, nem sequer são muito planos. Não é particularmente importante para o uso que se dá a este tipo de plainas, mas não gosto.
- a afinação de profundidade tem muito mais folga do que seria razoável esperar.

Apesar de tudo isto, consegue-se fazer duma Handyman uma plaina que dá para trabalhar, embora nunca vá ser uma plaina boa. Dá é uma carga de trabalhos a pôr em condições. No caso da minha, foram vários dias.
Comecei por tornar a base uma superfície plana. Gastei para isso várias folhas de lixa para ferro grão 40, seca, coladas numa placa de vidro de 8mm, até conseguir tornar o rasto plano. A partir daí, foi usar granulometrias sucessivamente mais finas 60, 80, 100, 120,... (de forma que cada uma apagasse os riscos provocados pela anterior). Como sou teimoso, fui até ao grão 1200, mas penso que a lixa de água de grão 600 dá um acabamento suficientemente aceitável.
Daí, passei aos lados, para os pôr (aproximadamente) perpendiculares à base. Novamente lixa 40, 60, etc., mas desta vez parei no grão 600. Devo ter tirado uma data de peso a esta plaina...
Depois, pôr o contra-ferro em condições - corrigir geometria da aresta e acabá-la de forma a que não tivesse folgas relativamente ao ferro. Originalmente, era uma vergonha.
O ferro é uma peça maçadora - nestas plainas, a Stanley usa ferros de 2mm de espessura, que podem ser tudo menos planos. Portanto, polir as costas do ferro pode ser complicado. Optei por só polir um ou dois cm a partir do gume, não é preciso mais. Quanto a  pôr o gume à esquadria, fazer o bisel e afiar, é trabalho do costume (ou seja, não é pior por ser uma Handyman).
E depois, claro, há que afinar. Como os meios de afinação desta plaina não são particularmente precisos, dá um bocadinho mais de trabalho do que com uma plaina de melhor qualidade. Mas enfim, faz-se!

E depois disto tudo - se bem me lembro, foram alguns 3 ou 4 dias de trabalho, especialmente à conta da lixa - já se consegue trabalhar. Mas sempre a matutar que devia ter comprado uma plaina melhor (as Stanley da série Bailey costumavam ser boas, não sei se ainda são, mas eram muito caras. E há outras marcas).

Quando descobrir como se põem fotografias aqui posso enviar-lhe uma do aspecto do rasto da minha depois destas operações, para ter um ponto de referência. Mas olhe que é preciso ser verdadeiramente teimoso para a pôr assim (depois disto, há uns anos já lhe consegui fazer alguns estragos que não consegui corrigir totalmente. Mais tarde conto se estiver interessado em ver)

Quem estiver interessado em saber mais sobre as Stanley, o site http://www.supertool.com/StanleyBG/stan0a.html , de Patrick Leach, é muitíssimo interessante. Mas não vai lá encontrar a série Handyman, não está ao nível...

Como já puderam verificar, quando o assunto me interessa escrevo muito. Mas os reformados às vezes são assim, têm todo o tempo do mundo (até morrerem, já se vê!). Prom,eto tentar honestamente emendar-me.

Cumprimentos
G.


849
Ferramentas / Re:Começar a montar caixa de ferramentas
« em: Domingo, 17 de Junho, 2012, 20:49:20 pm »
Boa tarde. Novo no fórum, as minhas saudações a todos.
Este meu primeiro post vai ser (muito...) comprido, mas com boas intenções.

André, sem desfazer de Joliveira, não creio que a resposta lhe tenha servido de muito. Vou tentar ser um pouco mais concreto.

Podemos considerar quatro áreas gerais nos "trabalhos de casa": alvenaria, pintura, canalização, electricidade, e pequenos trabalhos de reparação ou "hobbies" (marcenaria, modelismo, etc.). Se é mesmo principiante e ainda não sabe ao certo para que vai usar as ferramentas (ou mesmo se as vai usar...), parto do princípio que a sua área de actividade vai, para já, ser a das pequenas reparações - não é prudente ir mais longe do que isso.

Seguem as minhas sugestões, resultantes de mais de 50 anos de prática e muitas asneiras:
Para começar, três conselhos fundamentais:
#1 - Aparte as ferramentas básicas que indico, compre ferramentas e utensílios apenas à medida que for precisando. A menos que tenha muito dinheiro para desperdiçar, evite comprar jogos completos de ferrementas. Este conselho vale para tudo - chaves de bocas, chaves de caixa, chaves sextavadas, brocas seja de que tipo for..., nem compre ferramentas porque "algum dia posso precisar". Recebi este conselhohá muitos anos de um bom profissional (não português...) e sempre o achei bom.
#2 - Compre sempre as ferramentas da melhor qualidade que puder. Como em quase tudo, neste campo comprar baratinho não resulta, é frustrante, pode mesmo ser perigoso, e acaba por sair mais caro - mais tarde ou mais cedo vai ter de comprar de melhor qualidade. Ter em conta que algumas marcas (lembro-me específicamente da Stanley, que agora faz quase tudo na China, mas há outras) tanto têm algumas ferramentas ou utensílios de qualidade bastante aceitável como outras de qualidade vergonhosa.
#3 - Ainda antes de começar a usar qualquer ferramenta aprenda a conhecê-la e utilizá-la. Isto é especialmente importante no caso de ferramentas potencialmentre perigosas como ferramentas manuais de corte ou ferramentas motorizadas (a propósito, se for utilizar ferramentas de corte também vai ter de aprender a afiá-las - só isto tem muito que se lhe diga). Fale com profissionais ou amadores com experiência - cuidado com os gabarolas - e peça que lhe mostrem a maneira correcta de utilizar as ferramentas. Pode ver na Internet, mas cuidado - há por lá muito lixo e muitas asneiras, e como ainda não sabe distinguir o provávelmente correcto do incorrecto...

Posto isto, a sua caixa de ferramentas (e, já agora, uma caixa ou armário de ferramentas é para isso mesmo - para as ferramentas; pregos, parafusos e ferragens diversas vão para outros sítios, caixas ou gavetas). Básico, básico, básico (deixo as chaves de parafusos para o fim):
1 fita métrica metálica de 5m, com 15-16mm de largura (mais largas que isto torcem com muita facilidade).
1 martelo de tamanho médio - 400~500 gramas (hesitei entre o martelo e um maço de plástico ou de borracha; se puder ter os dois, melhor; se não, o martelo é de uso mais universal - não pode pregar pregos com um maço)
1 alicate universal de 20 cm, com cabo isolado.
1 chave francesa de 20~25cm (sim, francesa, não inglesa. São coisas diferentes)
1 tesoura robusta de 15~20cm
1 pinça direita boa, de uns 15 cm (para apanhar pequenos parafusos, pregos, etc.)
1 bom busca-pólos, não muito grande para poder ser utilizado nos parafusos das placas de junção pequenas.
1 rolo de fita isoladora
1 craveira (também há quem lhe chame "péclisse" ou "paquímetro"), com capacidade até 12-15 cm, medição exterior e interior. Se possível, aço inox com resolução de 0,1mm pelo menos, se não terá de se contentar temporáriamente com uma de plástico (aqui, estou francamente a ir contra o conselho #2...). Não precisa de ser digital, a menos que a sua vista não lhe permita ler as graduações do nónio. Essencial para medir o diâmetro de parafusos e brocas, e muito útil para medir peças de pequenas dimensões, tubos, etc. Uso-a pelo menos tanto como a fita métrica, talvez mais.
1 - daquilo a que hoje em dia se chama genéricamente um X-Acto (noutra ocasião poderei explicar a origem do nome). Dos grandes, metálico, com lâmina retráctil (Dexter não, por favor, vai totalmente contra o conselho #2...)
Óculos de segurança, especialmente se for utilizar ferramentas motorizadas ou martelar materiais que possam lançar lascas.
1 latinha pequena de óleo fino de máquina - porque, se se portar bem e fizer como todos deveriam fazer, sempre que acabar um trabalho vai limpar as suas ferramentas e passá-las com um trapo com uma gotas de óleo (a minha mulhar diz que eu não sou português...)
- Se for fazer furos nas paredes (quem não faz?...), um berbequim eléctrico com percussão. Para uso indiferenciado, 500W chegam, mas se sabe à partida que vai precisar de furar materiais duros é preferível ir para 650 ou 750W - escusa de ter de compar outro mais tarde. Um que tenha uma gola de diâmetro normalizado europeu - 43mm - para se precisar de o montar num suporte ou numa coluna. Uso Bosch há muitos anos (vou no 3º) porque, dentro do orçamento de que posso dispor, tem uma relação qualidade/preço muito aceitável. Mas há melhor (e também há muito pior).

- Aparafusadoras e chaves de parafusos - um tema que pode ser extenso:

a) Aparafusadora eléctrica? Não é essencial nem indispensável, longe disso. Mas dá jeito se houver muitos parafusos para apertar ou desapertar. Não é adequada, embora possa ser usada, para parafusos com cabeça de fenda. Pessoalmente, uso-a bastante nem parafusos usados com buchas ou para madeira com cabeça Philips, PoziDriv ou Torx. Mas gosto de dar sempre o último aperto à mão para sentir se me parece correcto ou não. Já tenho visto peças, especialmente de plástico, partidas por uso incorrecto de aparafusadora eléctrica - até por "jeitosos" que neste país tantas vezes se intitulam de profissionais.

b) Chaves de parafusos - requisitos básicos:
Cabo grosso, redondo ou sextavado, não canelado. Pessoalmente, não gosto de cabos de secção quadrada, mas pode ser uma questão puramente pessoal. Cabo com revestimento de borracha não é má ideia, desde que seja de boa qualidade. Comprimento 10-15cm dá para a maioria dos trabalhos.
Um sistema de cabo único com bits intermutáveis pode parecer interessante, mas no uso pode ser irritante. è preciso mudarde bit, e estes têm a mania de cair para sítios inacessíveis nas ocasiões mais inconvenientes, por exemplo quando está em cima de um escadote. Além de que na maioria dos casos os cabos são pouco robustos. A meu ver, servem quando muito para uma caixa de "primeiros socorros".

c) Tamanhos de chaves a ter:
1 de cada, Philips #1 e #2
1 de cada, PoziDriv #1 e #2
Quanto às #3 (maiores) e #0 (mais pequenas), aplica-se o conselho #1...
Quanto à medidas das chaves de fendas, dependem das características das cabeças dos parafusos, pelo que prefiro indicar os requisitos fundamentais: faces paralelas, ajustarem-se precisamente à fenda sem ficarem folgadas nem excessivamente apertadas (devem poder chegar ao fundo da fenda) e ter de largura o diâmetro da cabeça do parafuso. As boas chaves têm geralmente inscritas as medidas da largura e espessura da ponta e o comprimento da haste, em milímetros. Por exemplo, a inscrição 6,5x1,2x150 indica uma chave com uma ponta de 6,5mm de largura, 1,2mm de espessura, e uma haste de 150mm.
Dito isto, como um amador geralmente não se pode dar ao luxo de ter tudo, compra meia dúzia de chaves das medidas mais provávelmente necessárias e governa-se com elas. Também faço isso. Quando era mais novo ainda me dava ao trabalho de passar as pontas das chaves à esmeriladora para as pôr à medida dos parafusos, hoje em dia já não tenho paciência - uso-as tal como as compro.
Marcas - há muitas; últimamente tenho usado as FELO ( http://www.felo/de/en/ ) que, sem serem caras, se têm portado bem e são agradáveis de utilizar. Tenho-as visto à venda em muitas lojas. A única coisa irritante que têm é que as medidas estão inscritas (pintadas) no cabo de borracha; ao fim de pouco tempo de uso estão ilegíveis.

Aprenda a conhecer os diferentes tipos de parafusos, as respectivas aplicações e os diferentes tipos de cabeças. As cabeças Philips e PoziDriv podem parecer semelhantes, mas são diferentes e devem ser usadas chaves diferentes. Como cada vez são mais utilizadas em parafusos para madeira convém conhecê-las. Veja, por exemplo, em http://www.elexp.com/tips/AllAboutScrews.pdf[/i]

Sem serem fundamentais, um alicate de pressão de 15-20cm, um nível de bolha de 50cm (mínimo) e um bom esquadro metálico de 30~40 cm podem ser muito úteis (atenção à qualidade - por vezes tenho visto "esquadros" no comércio, até mesmo de marcas conhecidas, que têm uns 90º um bocado...aproximados!)

Se, como é o meu caso, não tiver um local fixo para trabalhar, uma bancada desmontável do tipo das Workmate da Black & Decker dá muito jeito. Mas é preciso estar disposto a aceitar as limitações correspondentes - por exemplo, quando quero utilizar uma plaina manual ou um formão tenho de encostar a bancada a qualquer coisa sólida - geralmente uam parede - para ela não "fugir". E mesmo assim abana que se farta.

Quase de certeza esqueci alguma coisa, mas com alguma sorte não será ão importante como isso. As ferramentas manuais clássicas são uma delícia, as motorizadas só são úteis (o que, no fundo, já não é mau... :)). Se começar a gostar, vai ver que daqui a uns anos vai ter dificuldade em arranjar sítio para arrumar tudo.

E divirta-se.

As minhas desculpas aos membros do fórum por um post tão comprido. Tentei resumir o mais possível mas, francamente, não conseguia explicar tudo o que achei necessário.

G.

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