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Tópicos - GLFaria

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Ferramentas / É sempre útil ver as ideias dos outros...
« em: Domingo, 14 de Abril, 2013, 23:09:06 pm »
Uma solução espectacular para guiar a folha de uma serra de fita "self-made": duas válvulas de admissão de um motor de automóvel. Ajustável, ainda por cima.
Apareceu na última "edição" da newsletter do Mathias Wandel (o de Woodgears)
São estas coisas que eu gosto de ver...

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Ideias, Truques e Dicas / Folhear madeira com a ajuda de um ferro de engomar
« em: Terça, 09 de Abril, 2013, 00:31:40 am »
Encontrei isto no Youtube.

http://www.youtube.com/watch?v=GRsAs6RYxOc#

Não é trabalho que eu faça frequentemente, mas pode interessar a alguns.

Como (fatalmente) está em inglês e isso pode apresentar dificuldades, aqui vai uma síntese da técnica explicada:

Cola a utilizar: PVA (acetato de polivinilo, ou seja, cola branca para madeira!), classe D2 (normal) ou D3 (à prova de água)

- Diluir a cola a aproximadasmente 10% com água, para faciliatar a aplicação
- Espalhar com uma trincha a cola diluida em ambas as superfícies
- Passar com um rolo para uniformizar a camada de cola (nota: quando eu me dedicava à fotografia - não digital, claro - havia rolos destes à venda nas casa de artigos fotográficos para "espremer" as ampliações depois de serem lavadas; pode ser que ainda haja)
- Secar com um secador de cabelo.
- Quando estiver seco, aplicar uma segunda camada de cola. Repetir o procedimento anterior.
- Aplicar uma 3ª camada e novamente repetir o procedimento descrito

Depois disto feito, as peças podem esperar até dois dias para fazer a colagem.

Usar um ferro de engomar regulado para temperatura alta, mas não tão alta que escalde quando se encosta o dedo à folha colada ou que queime a madeira.

Depois de colado e arrefecido, aparar como de costume.

Neste momento não tenho necessidade, nem prevejo vir a ter, de folhear nada, por isso não vou ver que tal resulta. Mas se alguém
precisar e quiser experimentar, talvez depois não se importe de comentar aqui os resultados.

G.

63
Sugestões, Dúvidas, Regras e funcionamento do fórum / Como é que se faz?
« em: Segunda, 08 de Abril, 2013, 23:59:12 pm »
Para benefício de todos (incluindo eu...), preciso que algum entendido me explique como se faz o seguinte:

- Intercalar imagens no texto de um post. Ou seja, introduzi-las a meio do texto e não apenas no fim. Como seria de esperar, copy/paste não resulta...

- Saber à partida, antes de enviar, qual o tamanho (visual) com que irão aparecer as imagens. Com fotografias já vi que, reduzindo bastante o tamanho com o Paint, por exemplo, consigo fazê-lo. Se reduzir para 80 ou 90 KB uma das minhas fotografias - que típicamente têm aproximadamente 1,5 a 2 MB no original - consigo afixá-las no post com um tamanho mais ou menos aceitável.
Mas os "bonecos" que anexei aos posts sobre a utilização do comparador tinham cerca de 19 KB cada um, e ficaram enormes! Então, como é?

Obrigado pela ajuda

G.

64
Ferramentas / Utilização do comparador - parte final (10ª e última tentativa)
« em: Domingo, 07 de Abril, 2013, 15:44:38 pm »
Juro que é a última!

Retirei alguns links que me pareciam estar a dar problemas e passei os restantes a texto simples. Terão que fazer copiar/colar para a área de endereços dos vossos browsers...

Vamos ver o que dá.

Comparadores mecânicos vs. comparadores electrónicos:
Vantagens dos comparadores mecânicos
- Podem ser limpos e reparados em caso de necessidade
- Existem em tamanhos mais pequenos do que os digitais
- Se devidamente cuidados, duram muito mais do que os comparadores digitais.
Desvantagens dos comparadores digitais:
- Quando se avariam, o que mais tarde ou mais cedo acontece, é práticamente impossível repará-los.
- Podem dar leituras fora dos seus limites de precisão, originando erros.

Se se tomarem os cuidados adequados, os comparadores mecânicos são a melhor opção, especialmente se forem de boa qualidade. Se se vai entregar o comparador a alguém que se suspeita que o poderá manusear descuidadamente, então a melhor opção será possivelmente um comparador digital – resistem melhor a choques e alguns maus-tratos e, de qualquer maneira, não duram tanto como os mecânicos.

Alguns links que podem despertar interesse ou mostrar diversas aplicações:

http://www.youtube.com/watch?v=qMgedDffw
http://www.youtube.com/watch?v=y2y2Ogh0Qes#
http://www.garagewoodworks.com/Alignement.php

Uma firma em Aveiro que vende vários tipos de suportes:
http://www.ultraprecisao.com/cgibin/eloja21.exe?myid=ultraprecisao&lang=pt&titles=06&family=10&product=list

Com isto, uuuffff! Não me peçam para fazer outra!
G.

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Características do comparador analógico

Utilização do comparador analógico:
1ª parte | 2ª parte | 3ª parte

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Ferramentas / Utilização do comparador - 2ª parte a)
« em: Domingo, 07 de Abril, 2013, 15:20:06 pm »
A mensagem é sempre a mesma:
"A sua sessão terminou enquanto estava a enviar a mensagem. Por favor reenvie a sua mensagem.
Não foi inserido nenhum assunto.
O conteúdo da mensagem foi deixado em branco"

Vou fazer uma última (7ª) tentativa, partindo a 2ª parte em duas. Se não resultar, tenho muita pena mas acabou-se.

2ª parte a)

Relembrando:
- Cada divisão da escala principal corresponde a 0,01mm
- Uma volta completa do ponteiro principal corresponde a 1mm
- Cada divisão do conta-voltas corresponde a uma volta completa do ponteiro principal
- Uma volta completa do conta-voltas corresponde na maioria dos casos (embora haja algumas raras excepções) à capacidade total de leitura do comparador – o curso máximo da haste.

Cuidados a ter com um comparador:
Um comparador é um instrumento delicado e de precisão (os comparadores digitais são geralmente menos delicados do que os analógicos, mas têm outros inconvenientes - ver abaixo). Deve ser tratado com o cuidado correspondente:
- Manter a haste e a ponta limpas e secas.
- Nunca lubrificar a haste
- Depois de o utilizar, limpar o comparador e guardá-lo, coberto para o proteger da poeira e da humidade, num local protegido e seco.
- Evitar que sejam sujeitos a choques e pancadas
- Não fixar o comparador a um suporte por meio de um ponto (perno roscado) apertado contra o canhão. Uma força de aperto excessiva provocará a deformação do canhão e a prisão ou pelo menos aumento de atrito da haste.
- Se a haste de um comparador que não tenha sido utilizado durante algum tempo prender, não se deve lubrificar. Movimentá-la à mão para dentro e para for a até o movimento ser livre.
- Não fazer furos na tampa posterior. Podem cair aparas para o mecanismo e inutilizá-lo.

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1ª parte | 2ª parte | 3ª parte

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Ferramentas / Utilização do comparador - 1ª parte (se conseguir...)
« em: Domingo, 07 de Abril, 2013, 01:36:05 am »
Ora bem, a primeira vez que tentei, a sessão terminou antes de eu conseguir. Talvez seja muito comprido. Vou tentar partindo em dois. Aqui vai a primeira parte:

Aqui vai a “apresentação” que me comprometi a fazer acerca da utilização dos comparadores.
Aviso desde já que é bastante longa. Lamento, mas não consegui fazê-la mais curta. As minhas desculpas pelo espaço ocupado.
Francamente, deu um bocado mais de trabalho do que eu esperava. Passei muito tempo na net à procura de ilustrações ou links que pudessem servir para clarificar a descrição, o que poderia tornar este texto muito mais curto – mas acabei por ter de escrever o texto e desenhar os “bonecos”, porque não encontrei nada de realmente útil que agrupasse todo o processo.
Também procurei vídeos do tipo “como fazer”, mas só encontrei um decente (é o primeiro na lista de links que vai no fim). Como seria de esperar, são todos em Inglês, mas espero que pelo menos permitam ficar com algumas ideias.
No texto abordo apenas os comparadores mecânicos analógicos, que são aqueles com que estou mais familiarizado. Mas os princípios gerais são os mesmos para todos os tipos.
Espero que este texto esteja minimamente compreensível e consiga transmitir o que pretendo. Como talvez já tenham experimentado, quando uma pessoa está familiarizada com a utilização de um equipamento frequentemente tem dificuldade em descrever a forma como ele é operado – já é tudo tão automático…

Vamos a isso!

Utilização do comparador
Recomendações gerais:

- O comparador tem de estar fixado firmemente e rígidamente, seja numa base magnética seja noutro suporte qualquer. Qualquer movimento ou oscilação origina erros nas leituras. Se for utilizada uma base magnética, a superfície de apoio tem de estar limpa e seca.
- A ligação do comparador à base tem de permitir que o comparador seja correctamente posicionado; mas também tem de, uma vez o comparador em posição, poder ser fixada rigidamente. Quanto mais facilmente isso for feito, maior o rigor se consegue no posicionamento (há braços articulados bastante ordinários e difíceis de ajustar)
- A haste do comparador deve ser sempre posicionada perpendicularmente à superfície que está a ser controlada. Se não for assim, introduzem-se erros nas medições, além de que se introduzem factores de atrito no deslocamento da haste dentro do canhão, que vão prejudicar a repetibilidade.
- A medição deve, sempre que possível, ser feita de cima para baixo – ou seja, com o comparador por cima da peça. Se tiver de ser feita com a haste na horizontal ou, no pior dos casos, com a ponta para cima, a mola pode não ser suficientemente forte para assegurar a repetibilidade. Nestas situações, é conveniente que a pré-carga seja mais acentuada (por exemplo, em vez de dar uma pré-carga de uma volta, dar duas ou três), e deve sempre verificar-se o funcionamento e a repetibilidade do aparelho. Em casos extremos, pode ser necessário substituir a mola de origem por outra mais forte.

Operação:
Passo 1 - Colocar o comparador perto da peça a medir (fig. 001)
Nota: por ser mais simples e talvez a utilização mais comum, apresento como exemplo uma peça de revolução (no caso, cilíndrica). Mais adiante indicarei alguns “links” que conduzem a exemplos de outras aplicações.

Passo 2 - Encostar cuidadosamente o comparador à peça. (fig. 002)

Passo 3 - Fazer uma pré-compressão, deslocando o braço articulado do suporte até o ponteiro grande dar uma ou duas voltas completas (fig. 002)
Passo 4 - Fixar o braço articulado em posição
Passo 5 - Verificar a repetibilidade – puxar a haste pela parte superior e depois deixá-la encostar suavemente, várias vezes, à peça a medir (sempre no mesmo sítio); se o ponteiro principal parar sempre na mesma posição, ou no máximo com um desvio de +- ¼ de divisão da escala, a repetibilidade pode geralmente ser considerada aceitável nessa zona de medição e as medidas podem ser feitas com um razoável grau de confiança.
Passo 6 - Rodar o aro e a escala para colocar o zero; podem ser consideradas três opções:
6.a - O método geralmente preferível é mover a peça até à posição em que o deslocamento do ponteiro para a esquerda for máximo (posição “mais alta” da peça) e colocar aí o zero; a partir daí, todos os deslocamentos do ponteiro serão para a direita, no sentido normal de leitura da escala, e torna-se fácil ler os desvios (fig. 003)

6.b - Outro método é mover a peça de uma posição extrema do deslocamento do ponteiro até à outra (máximo deslocamento para a esquerda e para a direita) e colocar o zero aproximadamente a meio. Torna as leituras mais delicadas e sujeitas a enganos, mas pode ser útil quando se estão a verificar tolerâncias do tipo +- .
6.c – Ainda outro “método” é colocar o zero na posição em que o ponteiro ficar quando o comparador for fixado, qualquer que ela seja; no fundo, é semelhante ao anterior e tem os mesmos problemas, pelo que não é uma boa opção
(fig. 004)

 Passo 7 - Mover a peça e fazer as leituras
Nota: a escala inversa pode dar jeito quando for necessário andar para trás relativamente a um ponto anteriormente registado.

(continua na 2ª parte)

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Utilização do comparador analógico:
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Ferramentas / Torno Emco Unimat
« em: Quarta, 03 de Abril, 2013, 01:33:11 am »
Creio que já falei algumas vezes no meu mini-torno para metais.

Uso-o pouco hoje em dia - habitualmente está arrumado dentro da caixa, num armário, é preciso tirar muita coisa da frente, e no fim do trabalho dá um trabalhão a limpar e lubrificar - basta ver onde vão cair as aparas...

De qualquer forma, hoje precisei de fazer um casquilho para uma modificação que estou a fazer no meu engenho de furar, tirei-o para fora, e aproveitei para tirar umas fotografias.

É um Emco Unimat Mk.2b do início dos anos 1950 (ver http://www.lathes.co.uk/unimat/index.html)

Para dar uma ideia do tamanho, uma das fotografias tem também uma fita métrica aberta; o casquilho que se vê na última fotografia tem 11,75mm de diâmetro!

Chato de limpar, mas divertido de utilizar, embora já esteja muito, muito "batido" - já uma vez o desmontei todo para encasquilhar os fusos, substituir rolamentos, etc. Um dia que tenha muuuuita paciência tenho que fazer isso novamente.

G.

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Bricolage Café / Mas têm a certeza que isto é um fórum???
« em: Sábado, 16 de Março, 2013, 00:46:01 am »
Para os romanos, o fórum era um local de encontro de toda a cidade, onde diáriamente as pessoas se encontravam para debater temas, conversar, saber novidades ou mexericos, etc. Passar pelo fórum todos os dias era quase um ponto de honra para os romanos com um mínimo de formação cívica.

Cada vez que visito o Bricolage Total - em geral duas ou três vezes por dia, já foram mais mas cheguei à conclusão que não vale a pena - vejo uns vinte visitantes, mas contributos... nem vê-los. Últimamente é uma conversa a dois ou três - sempre os mesmos.

Sei que a situação geral não é famosa - para ninguém, eu incluido, garanto - mas se só houver contributos quando a situação vier a estar boa... então, quase posso apostar que o fórum não dura até lá, porque isto vai demorar uns tempos.

Ainda vou tentando meter um tema ou outro de vez em quando, para tentar espevitar as coisas; tenho alguns na calha, mas francamente não sei se desista antes que alguém pense que estou a tentar monopolizar o espaço ou que acho que tenho ideias espectaculares ou que faço coisas espantosas. Não estou, não tenho, não faço... E não posso ser eu a manter isto vivo, quanto mais não seja porque sou muito recente no "fórum" e não tenho, digamos, ...estatuto  :)

Daqui a uns dias talvez mostre mais um pequeno projecto (passe o exagero) que tenho em curso. Só para ver se isto espevita. Depois, acho que passo a fazer como os visitantes: visito...

G.


69
Projectos, Plantas e Orçamentos / Quando o espaço é pouco...
« em: Quinta, 07 de Março, 2013, 01:01:43 am »
Não tencionava apresentar este tema. No fim de contas, é apenas a solução que encontrei para um problema pessoal, e não creio que seja particularmente interessante para a maioria.
Mas a baixíssima frequência de posts nos últimos tempos - possívelmente o reflexo de muitas outras e mais prioritárias preocupações - leva-me a fazer este "post" para tentar animar o fórum. E, no fim de contas, até pode ser que dê ideias a alguém que tenha o mesmo problema.

Básicamente, o meu problema principal é espaço. O meu espaço total de trabalho é de cerca de 3,5m2 - incluindo o espaço ocupado por um "armário de ferramentas pequenas / bancada de trabalhos ligeiros" e o espaço onde tenho a bancada Workmate - que é a minha bancada de trabalho habitual. Entre esta última e o tal armário/bancada tenho cerca de 1,20m onde me movimentar. Portanto, todas as soluções práticas para ganhar espaço têm interesse.

O meu (pequeno) engenho de furar estava habitualmente "arrumado" no chão. Cada vez que o queria usar tinha que o pôr em cima da Workmate (são só 17,5 kg, mas mesmo assim...). Mas - situação aborrecida - eram sempre ocasiões em que estava a usar esta bancada. Tinha primeiro que tirar tudo o que lá estivesse, para depois lá pôr o engenho em cima. E quando acabasse de o utilizar tinha que o tirar novamente para poder continuar o trabalho. Não era prático, mas fiz isso durante vários anos.

Por outro lado, utilizava a esmeriladora o menos que podia, e só mesmo quando tinha de ser - estava na prateleira de baixo de um armário, para a tirar tinha de movimentar várias coisas e, como é evidente, no fim tinha que a limpar e voltar a arrumar no armário.

Finalmente, a minha reserva de lixas era uma trapalhada indescritível - a única separação que conseguia fazer era "lixas para madeira/lixas para metal".

Resolvi fazer um suporte que me resolvesse estes três problemas e ainda me permitisse ganhar espaço e facilidade de movimentação. Condições de base - gastar o menos dinheiro possível, e utilizar ao máximo restos de materiais que já tivesse em casa. Básicamente, comprei um banco e um porta-talheres do IKEA (gasto total 29,99 + 5,99 = 35,98 euros - mais do que inicialmente queria...), algumas ripas de pinho branco, muito escolhidas, do Leroy-M, e meia dúzia de placas de contraplacado de 300x600x5 mm também do L-M (não tinha onde transportar nem como cortar uma placa inteira). O restante, incluindo o verniz, tinha em casa.

Utilizei como base para a estrutura um banco alto de madeira do IKEA, modelo Bosse. Além de poupar dinheiro - o banco completo custou  menos do que pagaria só por madeira de qualidade equivalente - poupou-me trabalho e tempo.

O primeiro passo foi montá-lo sobre uma placa de MDF de 19mm (tinha um resto em casa), com rodízios loucos de 70mm (que também já tinha). Rodízios com travão do lado da frente, sem travão atrás. A placa na base, além de consolidar o conjunto, serve para arrumação da esmeriladora. De seguida, usei o porta-talheres IKEA como núcleo para fazer uma gaveta para brocas e alguns pequenos acessórios da esmeriladora. Ver fotografia 001.

Seguidamente, fiz um módulo para montar sobre o banco. Esse módulo, aparafusado ao tampo do banco, serve de base para o engenho de furar, e ainda incorpora uma plataforma retráctil para montar a esmeriladora. Para ter a certeza que esta plataforma só se abre ou fecha quando quero, o movimento é travado por um picolete que entra num de dois furos da placa (um para travar na posição fechada, outro para a travar aberta). Ver fotografia 002 - o módulo separado, depois montado no banco, e finalmente com a plataforma aberta.

A arrumação das lixas foi resolvida com um módulo de prateleiras. Este módulo é extraível, e fica montado no espaço entre as pernas do banco, por cima da travessa (ver fotografia 003).
Para evitar que as lixas fiquem sujas com aparas de madeira do engenho ou com resíduos atirados pela esmeriladora, a zona do banco onde vai este módulo é fechada e leva uma tampa amovível.

Na fotografia 004 pode ver-se o conjunto completo, arrumado no seu local habitual, com o compartimento das lixas fechado com a tampa. O que se vê em baixo, entre os rodízios da frente, não é uma gaveta - é um "pé" suplementar, para aumentar a estabilidade do banco quando a esmeriladora está montada na plataforma de trabalho (ver na fotografioa seguinte). Não é que o banco fosse inerentemente instável, mas não me sentia confortável com aquele peso todo lá em cima, e tão para a frente. Estava a pedir para me cair em cima... Os dois "pontos" brancos que se vêem à frente, aos lados da plataforma fechada da esmeriladora, são dois parafusos para fixar uma placa usada para proteger o engenho quando a esmeriladora está em uso.
Já agora, por cima e à esquerda do banco pode ver-se nesta fotografia uma pequena estante que fiz para as plainas. Provávelmente terei mais tarde que fazer uma nova que me dê para arrumar mais plainas.

Finalmente, na fotografia 005 temos a esmeriladora montada sobre a plataforma, com o "pé" suplementar aberto e a placa de protecção do engenho montada (falta nesta fotografia um tabuleiro de chapa alumínio, que estou a faze, para recolher as projecções para baixo da esmeriladora - na primeira utilização improvisei, mas preciso de alguma coisa mais a sério).

É tudo para já. Espero com este post, mesmo se pouco interessante para a maioria, espevitar um pouco a actividade. E se alguém quiser aproveitar (ou dar...) ideias para uma falta de espaço, estejam à vontade.

G.


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Ferramentas / A quem precise de um torno para madeira...
« em: Domingo, 17 de Fevereiro, 2013, 15:29:32 pm »
... de madeira, vejam este:

http://woodgears.ca/reader/richard/lathe.html

G.

71
Ferramentas / Concurso de aplainar!...
« em: Domingo, 10 de Fevereiro, 2013, 19:57:27 pm »
Provávelmente vários no fórum receberam o mesmo, mas aqueles que acham que sabem afiar um ferro de plaina e tirar uma apara bem fininha (digo já que eu não sei...) vejam lá o que apareceu na última newslettar do Matthias Wandel (Woodgears)

http://www.youtube.com/watch?v=v3Ad6tBdLbM#

Aí uns 2 m de apara contínua com 9 microns (0.009 mm) de espessura! À mão! Não sei que madeira é, mas seja ela qual for...

Quem quer concorrer?

Para meditar... e aprender.
G.

72
Ferramentas / Stanley nº 78
« em: Quarta, 30 de Janeiro, 2013, 03:43:04 am »
Continuo a pensar que não há no fórum muitos interessados em ferramentas manuais, mas para os raros que estejam a pensar eventualmente comprar uma plaina de rebaixos Stanley #78 aqui vai algum "feedback".

A primeira vez que utilisei a minha tive uma trabalheira para conseguir uma afinação mínimamente aceitável Resolvi demontá-la toda e verificar peça a peça. E arranjei uma data de trabalhos...

Tenho que reconhecer que o nosso caro Cerdeira tem razão quando considera (ou assim me pareceu) a #78 um bocado rústica. É, sem dúvida. Ao longo dos seus 100 anos de existência tem feito um bom serviço a muita gente. Mas quando se começa a querer que fique como deve ser...

Aqui vai:

Ferro
O ferro não vem plano nem polido. Habitual nos ferros de 2mm da Stanley. A preparaçao geral é a standard, com a excepção do promenor da geometria do gume. Há várias teorias relativamente a esta plaina específica - gume a 90º, gume inclinado ("skewed"), gume mais largo do que o resto do corpo do ferro, lados do ferro com uma ligeira "saída" para facilitar o deslize na face lateral do rebaixo...
Como a afinação desta plaina não é fácil - folga-se a placa e tudo mexe para todos os lados - e verifiquei que o ferro tem de origem uma "saída" de uns 5º de cada lado (para poder ser usado à esquerda e à direita), optei por afiar a 90º, sem mais requintes.

- Corpo - a planimeria e a esquadria dos lados relativamente ao rasto era boa. O acabamento era muito áspero o que, entre outras coisas, facilita a criação de ferrugem. Tudo passado por lixa de água 600 assente numa placa de vidro, ficou aceitável. Não mexi na cama do ferro porque me pareceu aceitável e o resto estava muito pior... (ver fotografia 001)

- Batente de profundidade - a superfície necessitou apenas o mesmo tratamento que o corpo (lixa 600) (ver fotografia 001)

- Alavanca de afinação da profundidade do ferro - aqui começaram os trabalhos. A fenda era muito estreita, ou tinha levado uma pancada, não agarrava bem todas as ranhuras do ferro (que, aliás, tinham espessuras varíáveis...) portanto o movimento não era muito consistente. Alarguei ligeiramente a ranhura e corrigi a forma com uma lima de calado, ficou a funcionar bem (fotografia 002)

- Placa e parafuso de fixação do ferro - aqui então passamos aos trabalhos a valer.

a) a cabeça do parafuso tem uma parte ligeiramente cónica, que é suposta, penso, entrar num alojamento na placa. Só que o alojamento não existia - a parte cónica da cabeça do parafuso assentava directamente nos lados do rasgo da placa. Resultado- ao apertar, a placa mexia-se de uma forma mais ou menos aleatória. Resolvi montar a placa no engenho de furar e fazer um alojamento com um escariador. E aqui é que a porca toce o rabo - o metal da placa é duro que se farta. Depois de muito trabalho e com a ajuda de um rascador acabei por conseguir fazer um alojamento "mais ou menos" - mas dei cabo do escariador (nem vou tentar recuperá-lo, no estado em que está) e tive de afiar a fundo o rascador. Deve ser por isso que existem uma arranhadelas, que já não tive paciência para tirar, na superfície cónica da cabeça do parafuso - a placa é tão dura que o riscou (fotografia 003 - do lado esquerdo, o parafuso e a placa tal como vinha de origem; do lado direito, o alojamento escariado na placa e o parafuso montado no alojamento)

b) planimetria e geometria da zona de assentamento da placa no ferro - uma verdadeira desgraça. Não sei se a desgraça era da pintura ou da peça em si, porque não consegui entrar lá com uma lima. Como considero este um pormenor importante da plaina, foi directamente para a placa diamantada até estar mínimamente aceitável. Não tentei tirar todas as marcas de poros da fundição - teria ficado sem placa.  Limitei-me a obter uma superfície genéricamente plana, o suficiente para um aperto correcto (fotografia 004 - a zona de assentamento da placa antes e depois...)

- Guia - mais trabalho. Como já tinha mencionado há tempos (ver o tema "feiras de velharias"...), a face de encosto da guia não estava à esquadria com o rasto da plaina. Ao que parece, é relativamente frequente (ou, mais precisamente, parece ser a regra..) nas #78. Como esta esquadria é importante para obter rebaixos correctos, resolvi corrigi-la. Pensei inicialmente em fazer uma sobre-guia de madeira, acabei por optar por desbastar a face de encosto da guia na placa diamantada até estar como deve ser, após o que lhe dei o "tratamento" com a lixa 600(fotografias 001-acabamento e 005-esquadria corrigida)

Depois disto tudo, tenho uma plaina mínimamente capaz. Não excluo que possa vir a encontrar mais alguma coisa que não goste! Ainda pensei imaginar e fazer um sistema de afinação lateral do ferro, que não existe na #78 - e, como já disse, quando se folga o parafuso de aperto da placa tudo mexe. Mas já não tive paciência. Fica para uma dia (improvável) em que esteja com pouco que fazer e tenha muita paciência...

Agora, quem quiser comprar uma Stanley #78 já sabe ao que vai e não pode alegar desconhecimento...

Divirtam-se  ;)

Ah, e se quiserem que deixe de falar em ferramentas manuais estejam à vontade para dizer...

G.

73
Ferramentas / Operação de alto risco!
« em: Terça, 22 de Janeiro, 2013, 02:19:50 am »
Acabei de fazer uma operação de alto risco.

A "canga" (utilizo uma tradução livre, que me parece adequada, do termo ínglês genérico "yoke") de ajuste da profundidade do ferro da minha plaina Stanley Handyman, à força de anos de uso e afinações, acabou por alargar de tal forma que quando estava a fazer uma afinação saltou da garganta da porca.

Só tinha duas hipóteses - ou tentava arranjar outra canga, ou tentava repará-la (terceira hipótese, deitá-la para o lixo; é suficientemente ordinária para a ideia me passar pela cabeça, mas a laina ainda me dá jeito...).

Como vou precisar da plaina amanhã, resolvi tentar apertar os braços da "canga" com a ajuda de um torno de bancada pequeno. Resultou, mas quando cheguei a uma deformação de 1,4mm parei - não fosse diabo tecê-las. Mesmo assim, antes de apertada tinha uma folga de 1,8mm, agora só tem 0,4mm, acho suficiente.

Os mais curiosos perguntarão:
- porquê "de alto risco"? Porque a peça é de fundição, de um material qualquer a-magnético - zamak ou alguma liga de magnésio, suponho - e estes materiais resistem mal às deformações. Para dizer a verdade, estava à espera que partisse, mas como preciso dela amanhã e no fim de contas é só uma Handyman...

- para quê desmontar o punho, não era mais simples desmontar o berço (não tenho outro termo para "frog"...), ou retirar a cavilha que serve de eixo à peça? Bom, quanto a retirar a cavilha não podia, a estas horas e num 7º andar e com toda a gente a dormir, pôr-me a dar marteladas, por suaves que fossem. Quanto a retirar o berço - macacos me mordam, a Handyman é tão chata de afinar (e considero que as Bailey pouco lhe ficam atrás...) que tentaria qualquer solução remotamente viável antes de o fazer...

Junto duas fotografias para identificar melhor a peça.

Foi interessante, e aprendi mais alguma coisa.

G.

74
Ferramentas / Feedback - plaina de topos Juuma
« em: Segunda, 21 de Janeiro, 2013, 21:42:27 pm »
Vamos lá a ver se à terceira tentativa consigo fazer passar isto...

Boa tarde a todos.

Como prometi num post anterior aqui vão, para os interessados, as minhas impressões após alguns dias de uso da minha nova plaina de topos Juuma.

É uma ferramenta adequadamente bem acabada, que dá uma impressão de qualidade. Mesmo assim, antes de a utilizar pela primeira vez trabalhei ligeiramente alguns pormenores:

- Rasto - embora a planimetria fosse muito boa e o acabamento fosse perfeitamente aceitável, poli-o com lixa 600. Com isto consegui um acabamento bastante bom, e eliminei algumas pequeníssimas rebarbas que havia na aresta da frente da boca. Também queria ver se o ajuste entre a peça móvel da frente da boca e o rasto era tão bom como parecia com o acabamento que vinha de origem. É!!! Mal se vê a junta, não tem qualquer folga, e desliza perfeitamente (ver fotografia J_005).

- Aperfeiçoei o acabamento da aresta da frente da boca. Não me preocupei particularmente com a aresta de trás que, embora não seja perfeita, não é realmente tão importante e está suficientemente correcta (ver a diferença entre as duas na fotografia J_005)

- Os ferros vêm com o bisel habitual de 25º. Fiz um bisel de corte (para os anglófilos: "micro-bevel") a 27-28º (a guia Stanley não permite ser mais preciso do que isso; está nos meus planos fazer uma como deve ser), usando o método "scary-sharp" - só mesmo um americano é que inventava um nome como este... -  e assentei o fio com um assentador (ok, ok, "strop") de cabedal de manufactura caseira, sem pasta de polimento (se alguém estiver interessado ponho aqui uma fotografia, mas não tem nada de especial, na Net há milhares de fotografias de assentadores de todas as formas, feitios e dimensões). Com a cama do ferro a 13º, o ângulo de corte fica em 40-41º. O ferro tem 3mm de espessura, e não 2mm como os habituais da Stanley, o que o torna mais rígido do que estes últimos - para os topos, é melhor.

Com esta preparação, a plaina ficou apta para trabalhar como eu gosto. Nunca antes tinha usado uma plaina de topos, e fiquei a meditar - como é que me consegui safar ao longo destes anos todos sem uma? Mal e incómodamente, é claro. Agora meto-me a fazer coisas que antes nem pensar - por exemplo, acabar um topo à plaina sem usar lixa, fica muito mais bonito, polido, e sem pó a encher os poros; ou aplainar contraplacado fino sem o deixar todo lascado...

Quanto à comodidade de uso, preferia que algumas coisas fossem ligeiramente diferentes:
- Concordo com a crítica que li na internet - o parafuso de avanço do ferro devia ter um passo mais fino, tal como está é difícil fazer - uma afinação muito precisa.
- O acesso ao parafuso de fixação da placa de aperto do ferro podia ser melhor.
- Finalmente, questão puramente pessoal:  tenho as mãos pequenas, a plaina tem 162mm de comprimento, não me importava se tivesse menos 10 ou 15 mm; assim, tenho de apoiar os dedos atrás do parafuso de afinação da boca (fotografia J_008)

Mas por junto, a um preço final de 89 euros imcluindo um ferro extra e os portes, considero isto uma excelente compra.

Quanto às fotografias (tive que agregar algumas por causa das restrições ao envio de anexos):
J_002 + J_003 - aspecto geral; na J_003 marquei a encarnado o desbate que tenciono dar de ambos os lados para facilitar o acesso ao parafuso de aperto.
J_004 + J005 - a cama do ferro é muito melhor do que nas actuais Stanley (que continuam a servir de referência para muita gente); o parafuso (douradinho...) de fixação do ferro é um M5, pode ser que um dia faça outro com uma cabeça maior para não ter de usar chave de parafusos; o rasto e a boca depois de polidos com lixa 600 - notar a diferença entre o bordo da frente e o de trás da boca, e a qualidade do ajustamento da peça móvel.
J_006 - a afinação que tenho estado a usar; a boca está com uma abertura de alguns décimos de mm (não sei exactamente quantos, não me atrevi a aproximar as pontas da craveira do gume do ferro; certamente menos de 0,5mm); a saliência do ferro está menor do que isso. As aparas que estão em cima têm 0,1mm de espessura; foram feitas com esta afinação, no sentido do veio de uma ripa de pinho macio.
J_007 - aparas feitas ao atravassado do veio, também em pinho macio; a espessura das aparas é a mesma das anteriores; para conseguir aparas com espessuras mais finas do que estas é que o passo do parafuso de ajuste torna as coisas difíceis - mas faz-se. O topo da ripa ficou polido e sem qualquer arrancamento.
J_008 - o que referi quanto à posição em que tenho de pôr os dedos (não, não vou utilizar aquele bocado de ripa massacrada, foi só para fazer experiências...)

É tudo; se alguém estiver interessado em mais algum pormenor ou tiver alguma dúvida é só perguntar.

G.

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Aqui está uma cópia em PDF de um livro interessante

http://www.toolemera.com/bkpdf/haywardhowtobk.pdf

(estava só à procura de informações sobre maços de madeira...)

G

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