Autor Tópico: Plaina Flamingo  (Lida 4291 vezes)

pajo

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Plaina Flamingo
« em: Quinta, 13 de Outubro, 2016, 11:40:46 am »
Bom dia ;D

Alguém conhece ou já ouviu falar das plainas marca Flamingo. :o :o

Encontrei uma nº 5 - 350mm

Será alguma coisa de jeito?
Se não sabes? -não mexas!
Se não gostas? -não estragues!
Mas isso, NÃO TINHA PIADA NENHUMA!!!

AlexB

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Re: Plaina Flamingo
« Responder #1 em: Quinta, 13 de Outubro, 2016, 12:43:01 pm »
Nunca tinha ouvido falar mas procurei no google e pela única fotografia que encontrei parece-me ao nível das stanley tardias embora essa Flamingo ainda mantenha e bem o parafuso de ajuste do contra-ferro inferior (acho que é o nome Português para o "frog") assim como as pegas em madeira.
Como todas as plainas desse nível é provável que precise de algum trabalho para ficar em condições, mas se este trabalho for minimamente bem feito, pode ficar uma ferramenta muito interessante.
Não sei o preço, mas para as minhas plainas Stanley e afins tenho comprado aos poucos lâminas e contra-ferros da Quangcheng e posso confirmar que ficam noutro patamar.

pajo

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Re: Plaina Flamingo
« Responder #2 em: Quinta, 13 de Outubro, 2016, 13:56:51 pm »
Boa tarde Alex.
É essa mesmo (igual).
Tambem me pareceu ser igual a Stanley mas o cunho na capa é  mesmo flamingo..
Não consegui desenbrilhar toda porque o astico estava colado com o oleo.mas tem um peso considerável
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AlexB

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Re: Plaina Flamingo
« Responder #3 em: Quinta, 13 de Outubro, 2016, 14:13:23 pm »
Acabei agora de ler que o punho não é madeira mas sintético de imitação de madeira. Isto não interfere no funcionamentoe e fazer umas pegas novas também não é assim tão difícil, mas não deixa de ser um ponto negativo.
Já agora qual é o preço? Não sei se conhece as Faithfull à venda aqui:
http://www.restaurarconservar.com/epages/298256.sf/pt_PT/?ObjectPath=/Shops/298256/Products/Plane/SubProducts/Plane-03

Não tenho nenhuma mas li que andam ao nível das Stanley pós-guerra e como tal precisam da mesma preparação. Mas fora isso cumprem bem e são baratas.

pajo

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Re: Plaina Flamingo
« Responder #4 em: Quinta, 13 de Outubro, 2016, 15:59:19 pm »
Sim ja tinha conhecido um dia destes.
Mas depois de seguir umas pistas do GLFaria, cheguei a conclusão que por mais 1/2 duzia de tostões ficava melhor com uma stanley.
Fico com duvida se o cabo sera mesmo plastico. Imita muito bem.
Quanto ao preço vai ficar a baixo de 45 €
Novo em caixa desbotada.
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pajo

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Re: Plaina Flamingo
« Responder #5 em: Sábado, 15 de Outubro, 2016, 08:38:22 am »
Acabei por perder a cabeça  ::) e fazer o investimento  ;D

Podem ver a nova peça aqui http://forum.bricolagetotal.com/ferramentas/a-minha-caixa-de-ferramenta/90/
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AlexB

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Re: Plaina Flamingo
« Responder #6 em: Sábado, 15 de Outubro, 2016, 21:29:30 pm »
Cá vai testamento de resposta ao seu pedido no outro tópico. :P


Pelo que tenho aprendido na net, estas plainas de gamas mais baixas precisam de tempo e trabalho para ficarem em condições mas se este trabalho for bem feito podem ficar umas ferramentas muito boas.
Basta ver a quantidade de marceneiros com provas dadas que usam estes equipamentos. Enquanto as plainas de gama alta já vêm de fábrica afinadíssimas, estas têm muitos defeitos que felizmente dão quase todos para serem rectificados.

Eu começo sempre por aplainar a sola ou parte de baixo(16). Nunca comprei nenhuma plaina nova mas tenho lido que nestas gamas até nas novas este trabalho precisa ser feito. É preciso uma superfície completamente lisa e plana. Eu uso duas placas de MDF grossas coladas uma no outra. Não aprecio o MDF mas é sabido que se há qualidade que ele tem é vir extremamente plano. Por cima ainda meto um vidro que tinha aqui por casa mas se não ouver vidro, uma das placas de MDF pode ter aquele acabamento tipo película que também serve. Outras opções são um vidro grosso ou uma pedra em que se tenha a certeza que está completamente plana. É mesmo importante que a superfície usada esteja mesmo plana. Eu uso uma régua metálica para verificar.
Depois é colocar lixa, que prendo com uns grampos e passar a plaina como se estívésse-mos a plainar a peça. É importante que isto seja feito com a plaina toda montada mas com a lâmina obviamente recolhida. Como só tenho comprado plainas em segunda mão em muito mau estado, preciso de retirar muito metal até a sola estar plana. Eu começo com um grão baixo, normalmente 80 ou 120 e depois vou subindo. Até ao 280 eu uso lixa em rolo que permite uma superfície maior e logo menos tempo a lixar. Costumo marcar riscos transversais em todo o comprimento da sola com um daqueles marcadores que escrevem em superfícies polidas entre mudança de lixas. Desta forma é fácil perceber as zonas onde ainda a sola não está completamente plana. Não é importante para o funcionamento mas eu levo este processo até ao grão 1000 de forma a ter uma sola quase polida. Esta escorrega melhor sobre a madeira e principalmente resiste muito mais à ferrugem. No entanto a função de planar é feita apenas com as lixas até ao 400 mais ou menos. A partir daqui é só meia dúzia de passagens para polir.

Há uma zona que pode estar convexa e se for por pouco não é muito importante que esteja 100%. É a zona a azul da fotografia.
Agora a frente, as zonas junto à boca e a periferia da parte de trás é muito importante que estejam planas.


Depois desta parte é rectificar os bordos da sola para cortar as arestas vivas do processo de fabrico e desta forma a plaina fluir sobre a madeira. Mais uma vez, nestas gamas não há muito cuidado com os acabamentos. Aqui é passar uma lima normal na aresta em toda a periferia da sola, tanto dos lados como na frente e depois passar uma lixa mais fina para polir pela razão normal da ferrugem.

O passo seguinte é desmontar o contra-ferro inferior(10). Para isso retira-se a cunha (6) levantando a alavanca(5). Retira-se a lâmina juntamente com o contra-ferro (3+4) e desapertam-se os dois parafusos que o suportam(11). e depois desapertar o parafuso 12.
Neste contra-ferro procede-se outra vez num processo idêntico ao já feito com a sola. A superfície que recebe a lâmina tem de ser rectificada visto que esta muitas vezes não vem completamente plana. A superfície em causa é esta:


Por causa da alavanca de ajuste lateral, não se consegue pousar completamente esta peça na lixa por isso tem de se fazer por partes no bordo do MDF.
Também não faz mal nenhum verificar se este contra-ferro inferior acenta bem na sola da plaina e se não balança. Eu faço isto sem os parafusos colocados. Depois disto tudo verificado é montar outra vez na plaina.

Depois temos o contra-ferro (4). Separa-se da lâmina desapertanto o parafuso (7) Aqui é muito importante lixar a superfície da frente de contacto com a lâmina. Não precisa de ser afiado como a lâmina mas quanto mais afiado, melhor irá fazer o seu papel. Eu lixo-o até a uma lixa 1000. Atenção que esta superfície tem de fazer um certo ângulo com a face da lãmina para que quando prensado pela cunha(6) toda a superfície faça contacto.


Em relação à lâmina, eu começo sempre por aplanar a frente do lado oposto ao gume. Esta face é polida até à granulometria máxima com que afio o gume que no meu caso é 12000. É crucial que esta superfície seja 100% plana para fazer um bom contacto com o contra-ferro mas só precisa mesmo de ser a parte da frente.


Por fim temos o gume. Eu uso 2 biséis. O maior ou posterior não precisa de ser muito polido. mais ou menos 800. O da frente é que é o gume e aqui é afiar tão bem quanto se consiga. Nas plainas de acabamento este gume não pode ser completamente recto. Convém ter uma ligeira curvatura nos extremos para não marcar a madeira.


Nas outras plainas convém que seja recto para maximizar a largura da lâmina.


Depois de afiada, é juntar a lâmina com o contra-ferro, apertar com força o parafuso (7) e olhar em contra-luz para verificar se não passa nenhuma luz e o contacto é perfeito.


A lâmina deve ficar um pouco avançada em relação ao contra-ferro mas mesmo muito pouco. Meio milímetro ou menos para evitar rasgar a madeira e termos uma superfície lisa.
Depois é montar tudo e trabalhar.
Não esquecer de usar cêra na sola com regularidade. Uma simples vela serve e estar sempre, sempre a passa-la durante o uso da plaina. Isto faz uma diferença do dia para a noite. Para terem uma ideia eu tenho sempre um pedaço de vela ao meu lado e passo-o umas4 vezes por minuto. Basta fazer uns riscos rápidos na sola.


Espero que consiga perceber a explicação mas se tiver dúvidas, já sabe. Acho que não me esqueci de nada. Atenção que não sou nenhum expert e tudo isto são dicas que aprendi na net. Se alguém tiver mais dicas era óptimo que as partilhasse.
Boas plainadas!  ;D
« Última modificação: Sábado, 15 de Outubro, 2016, 21:38:09 pm por AlexB »

GLFaria

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Re: Plaina Flamingo
« Responder #7 em: Sábado, 15 de Outubro, 2016, 22:35:09 pm »
pajo, enviei-lhe uma MP.
Mas acho que já tem muito com que se entreter  ;)

Só trê notas de pormenor:
- o primeiro bisel não precisa de ir a grão 800, basta 400 ou mesmo menos *desde que*, e isto é importante, não atinja a zona do gume do ferro quando o está a fazer (não vou explicar agora porquê, é simples mas tinha de escrever e fazer uns bonecos.
- o gume pode ir a um grão muito fino, mas nem sempre é necessário, só com madeiras difíceis. No meu caso, como só uso madeiras relativamente macias e "descomplicadas", digamos até faia, mogno ou semelhantes, contento-me com ir a 1200 e depois passar no assentador. E também já aplainei azinho assim, a única dificuldade foi que o fio não durava muito.

O Paul Sellers é um "descomplicador" espectacular, ver (Sharpening to 250-grit: Woodworking cutting edges that work)

- a distância do gume do contra ferro (digo "gume" propositadamente, quanto mais afiado melhor) ao gume do ferro não tem obrigatoriamente que ser minúscula. Depende, entre outras coisas, da madeira que se esteja a aplainar e do tipo de dificuldades q. Habitualmente afino a menos de 1mm, mas já me aconteceu afinar até uns 2mm
(sim, sim, li o estudo do prof. Kato, http://planetuning.infillplane.com/html/review_of_cap_iron_study.html, mas não trabalho em condições de laboratório nem em condições-limite)

pajo

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Re: Plaina Flamingo
« Responder #8 em: Domingo, 16 de Outubro, 2016, 00:33:14 am »
Alex e GLFaria, desde já agradeço as vossas respostas. Mais elucidativo so mesmo por profissionais.

Ja tinha estudado alguma coisa na net mas os videos da net têm a capacidade de fazer parecer tudo facil.

Na minha busca da semana que passou encontrei uma plaina stanley muito mal tratada, com ferrugem e cimento.
Acabei por comprar por ter sido barata (pensava eu), afinal foi barata mas nova custa pouco mais do dobro do preço que dei.

Tambem arranjei um  vidro de 10/12 mm e ontem à noitd fiz serão.
Fiz umas passagens  com lixa de 120 mas depressa percebi que tinha de começar com menos.
Hoje fiz mais uma empreitada. Mas amanhã queria abrir um topico dedicado ao asunto.
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Stromlinie

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Re: Plaina Flamingo
« Responder #9 em: Domingo, 16 de Outubro, 2016, 11:51:01 am »
Alex e GLFaria, desde já agradeço as vossas respostas. Mais elucidativo so mesmo por profissionais.

Bom dia! Graças aos aguaceiros frequentes, hoje não fui andar de bike, vim pôr a bricolage em dia e aproveitei para ler as últimas do fórum!

Ainda que o tópico não tenha sido aberto por mim, quero agradecer ao AlexB e ao GLFaria as informações prestadas.

Vou voltar à bricolage...
Boa bricolage, em segrança,

Stromlinie

GLFaria

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Re: Plaina Flamingo
« Responder #10 em: Domingo, 16 de Outubro, 2016, 17:26:23 pm »
AlexB, se não é indiscrição o que é que utiliza para polir a 12000? É um grão bastante "puxado" para trabalho amador.

pajo

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Re: Plaina Flamingo
« Responder #11 em: Domingo, 16 de Outubro, 2016, 21:03:13 pm »
Creio que o Alex digitou um zero a mais. Eu tambem li 12000 mas achei que seria 1200!
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AlexB

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Re: Plaina Flamingo
« Responder #12 em: Segunda, 17 de Outubro, 2016, 00:10:09 am »
Não, é mesmo 12000.
Na loja "restaurar&Conservar" há umas lixas de polimento reutilizáveis. Custam 3.5 euros cada. Tenho uma de 4000, outra de 8000 e por fim a de 12000. Só as uso mesmo para polir os gumes e nota-se bem a diferença. Por isso mesmo uma único kit de lixas dura-me bastante tempo. Tenho estas à uns 2 meses e continuam a polir bem.
No entanto acho que 95% da eficácia é até aos 1200 embora com estas granulometrias consiga "atropelar" melhor os nós e outras zonas mais difíceis.

pajo

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Re: Plaina Flamingo
« Responder #13 em: Segunda, 17 de Outubro, 2016, 00:43:21 am »
12000 :o :o :o :o :o :o
Bolas só conhecia mesmo ate 2000 e já achava que uma folha de papel tinha o mesmo efeito.

Tá-se sempre a aprender :angel: :angel: :angel:
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GLFaria

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Re: Plaina Flamingo
« Responder #14 em: Segunda, 17 de Outubro, 2016, 01:53:58 am »
Obrigado pela informação, é sempre bom saber o que há no mercado.
Por qualquer motivo é raro lembrar-me dessa loja, apesar de ter o respectivo ícone no meu ambiente de trabalho - juntamente com mais algumas dezenas...

Dúvida:
Os fabricantes dessas telas mencionam "cushioning", e no respectivo site há uma fotografia em que se vê uma camada abrasiva, seguida de uma camada amortecedora, e finalmente o substrato.
Não nota inconvenientes devido ao amortecimento? (quando faço um assentador, procuro sempre um cabedal duro e relativamente fino, não mais de 3-4 mm, precisamente para evitar esse tipo de problemas)

Finalmente, desculpem lá, conversa de café: 1976, arquitectura? Lisboa ou Porto? O meu filho mais velho tem precisamente essa idade e formação. Poderão ter sido colegas?