Autor Tópico: E sai uma mesa para...adivinhem...o engenho de furar!  (Lida 5622 vezes)

GLFaria

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E sai uma mesa para...adivinhem...o engenho de furar!
« em: Terça, 25 de Fevereiro, 2014, 23:46:11 pm »
Pode parecer que só me ocupo do engenho de furar. Na realidade, é um dos meus equipamentos mais úteis e mais utilizados, por isso tenho dedicado bastante tempo a melhorá-lo. E ainda tenho mais alguns projectos pendentes...

A mesa de origem é muito pequena, feita para trabalhos em peças pequenas de metal. Vai continuar a servirpara isso. Mas entretanto, senti necessidade de uma mesa um bocadinho maior para os trabalhos em madeira. Um bocadinho maior, mas não muito - não queria que ultrapassasse a largura do banco onde o engenho está assente, e muito menos que passasse para a frente dele, mesmo como está já lhe dou muitas pancadas ao entrar a porta!

Assim , fiz uma minúscula mesa com 31,5 x 22 cm úteis, que se adapta à mesa de origem. É o suficiente e cumpre os requisitos de espaço. A plataforma é em MDF de 10mm, bordejada com aquele horrivel pinho do L-M. Não gosto muito do MDF, mas gosto ainda menos do aglomerado, folheado ou não, e o MDF envernizado (verniz de soalhjo, como é meu hábito) é perfeitamente adequado para isto. É um projecto que, conceptualmente, não tem nada de novo - há dezenas de exemplos na internet.

Vou tentar descrever sucintamente com a ajuda das fotografias.
1ª série de fotografias: o tampo em construção, já com as ripas de pinho aplicadas
- os furos com caixa são para montar porcas-garra - os que têm a caixa para o lado de cima são para as porcas de fixação à mesa de origem do engenho, os que têm a caixa para baixo são para porcas para eventualmente montar um acessório de fixação
-descobri tarde demais que da parte de trás para a da frente da mesa de ferro fundido do engenho havia um desnível de 1,7mm, pelo que, para o centro do tampo não ficar no ar, tive de acrescentar uma falsa-base em contraplacado de 4mm e uma ripa para compensar os tais 1,7mm (3ª fotografia, a faixa mais escura visível ao lado da caixa para a porca-garra)
- o furo de maior diâmetro perto do centro do tampo - propositadamente deslocado - serve de alojamento a uma peça "sacrificial" de madeira, ou material semelhante, para suporte das peças enquanto são furadas.

2ª série de fotografias: o tampo em construção, com as porcas-garra montadas (frente e verso).
- na 3ª fotografia vêem-se, mais para o lado de trás, umas "tampas" (círculos claros), feitas com folha de madeira (2 x 0,6mm). Servem para tapar as porcas-garra que aí vão montadas, para não haver acumulações de lixo nos alojamentos. Os outros dois furos não são tapados - ao contrário dos primeiros, são abertos para baixo, excepto quando lá estiver alguma coisa montada, por isso podem ser limpos fácilmente.
Embora a placa pareça ter acabamentos diferentes nas várias fotografias, o que há é que umas foram tiradas com luz do dia e outras com luz artificial; ainda n~~ao tinha aplicado nenhum acabamento.

3ª séria de fotografias: início da construção dos manípulos de fixação do tampo à mesa de origem
- as "maçanetas" são feitas a partir de contraplacado de 10mm, cortado em redondo por meio de uma serra craneana; o furo tem de ter a medida do parafuso que se quer utilizar, o que me obrigou a comprar um novo conjunto de serras - o que eu tinha era com uma broca central de 8mm, e eu queria usar parafusos M6 x 50.
- na 1º fotografia o corte dos discos maiores, na 2ª os discos cortados, na 3ª os alojamentos para as cabeças dos parafusos nos discos maiores e o início da montagem.
- o parafuso é primeiro montado no disco pequeno, depois alica-se cola, e finalmente aplica-se a cabeça do parafuso no alojamento do disco grande, aperta-se, e espera-se que seque. Inicialmente pensei usar cola epoxi, finalmente usei cola branca forte - como o alojamento da cabeça do parafuso estava bem justo, tratava-se básicamente de colar os dois discos de madeira.

4ª séria de fotografias: acabamento dos manípulos.
- nada de especial - lixagem com grão P320, e três demãos de verniz para soalho. Neste projecto - e nos próximos será igual - tive de usar verniz brilhante, embora não seja muito apreciador; acontece que se acabou a lata de verniz mate, precisei de comprar brilhante para outro uso, e não me posso dar ao luxo de ter duas latas de litro abertas - uma lata dura-me quase um ano.
- na 3ª fotografia vê-se também a peça que, ajustada à parte de baixo da mesa de origem, e apertada com os manípulos, faz a fixação do tampo à mesa de ferro.

5ª séria de fotografias: o tampo montado no engenho
- na 1ª fotografia, tirada de baixo para coma, a fixação do tampo.
- nas outras, visto de cima, com a peça "sacrificial" na 2ª, e sem ela na 3ª; o furo central de 19mm, que coincide com o da mesa de ferro, serve para ajudar a extrais esta peça, empurrando com um dedo a partir de baixo.

Não faço ideia se a explicação está suficientemente clara. Pelo menos, está muito mais comprida do que eu inicialmente previa...Vamos ver se as séries de fotografias saem pela ordem devida. Se não, terão de puxar pela cabeça, é para isso que ela serve!

nuno junqueira

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Re: E sai uma mesa para...adivinhem...o engenho de furar!
« Responder #1 em: Quarta, 26 de Fevereiro, 2014, 23:22:21 pm »
BOA NOITE  COMPANHEIRO

ACHO QUE ESTE PROJETO FICOU MUITO BEM MESMO!!!!
SÓ HOUVE DOIS PONTOS QUE NÃO ENTENDI LÁ MUITO BEM.
1º PARA QUE SERVE O BURACO QUADRADO QUE FOI FEITO NA PARTE DE BAIXO DA MADEIRA?
2º COMO DESCOBRISTE QUE EXISTIA UM DESNIVEL NA MESA DO ENGENHO DE FURAR?

OBRIGADO POR PARTILHARES

MIGUEL
NUNO JUNQUEIRA - CONSTANCIA-  SCROLLSAW -NMSBJ@HOTMAIL.COM

GLFaria

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Re: E sai uma mesa para...adivinhem...o engenho de furar!
« Responder #2 em: Quinta, 27 de Fevereiro, 2014, 00:17:14 am »
Antes de mais, Nuno (ou Miguel?  :) ) - está a escrever em maiúsculas, na grafia internet isso significa "gritar" e não é considerado muito bonito...

O tal "buraco quadrado" - suponho que se refere ao da parte inferior, que está "forrado" com contraplacado - é para encaixar o tampo sobre a mesa de origem do engenho. Assim, não há perigo de se mexer para os lados, mesmo que não esteja bem preso pelos parafusos.

Desnível na mesa do engenho - é um teste básico.
1. Montar na bucha uma vareta que se saiba que está bem desempenada - se não houver mais nada, pode ser uma broca, mas antes de a montar na bucha convém fazê-la rolar sobre uma superfície plana para verificar se está mesmo desempenada
2. Colocar na mesa um esquadro de confiança - já tenho encontrado à venda muitos que de 90 graus só têm a inscrição - e encostá-lo à vareta. Convém ter uma superfície clara iluminada por trás para ser mais fácil ver.
3. Fazer rodar a bucha à mão.
Análise do resultado:
- Se a aresta do esquadro ficar sempre paralela à vareta, a mesa está à esquadria e o conjunto "veio/bucha/vareta" está desempenado e não tem excentricidade perceptível.
- Se a aresta do esquadro fizer um ângulo, por pequeno que seja, com a vareta, e esse ângulo se mantiver constante quando se roda a bucha, isso  significa que a mesa está fora de esquadria (era o caso da minha), mas o conjunto "veio/bucha/vareta" está desempenado e não tem excentricidade perceptível.
- Se a aresta do esquadro não estiver paralela à vareta e se essa falta de paralelismo for variável, pode haver um conjunto de efeitos: falta de esquadria da mesa, empeno do veio e/ou da bucha e/ou da vareta, excentricidade do veio e/ou da vareta... Há que ver tudo de raiz, começando pela excentricidade do veio e do cone de montagem da bucha (o que exige um procedimento diferente, que noutra altura explico se houver interessados).

Talvez a explicação esteja um pouco confusa (como as minhas quase sempre são...), mas os procedimentos na realidade são bastante simples. Se precisar de uma descrição mais clara por favor diga. Junto uma fotografia.

nuno junqueira

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Re: E sai uma mesa para...adivinhem...o engenho de furar!
« Responder #3 em: Quinta, 27 de Fevereiro, 2014, 01:03:47 am »
MUITO OBRIGADO .
É QUE EMBORA MECONSIDERE COM ALGUMAS CAPACIDADES DE EXECUÇÃO DE TRABALHOS EM MADEIRA TENHO UM GRAVE PROBLEMA COM A PRECISÃO DAS MEDIDAS E DOS CORTES. Raramente me saiem doiscortes com  a mesma medida.
NUNO JUNQUEIRA - CONSTANCIA-  SCROLLSAW -NMSBJ@HOTMAIL.COM

GLFaria

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Re: E sai uma mesa para...adivinhem...o engenho de furar!
« Responder #4 em: Quinta, 27 de Fevereiro, 2014, 01:18:38 am »
Originalmente, venho da metalomecânica de precisão, embora não seja "praticante" há muitos anos, por isso é natural que tenha alguma facilidade.

Mas em madeira, se não tiver muita precisão nos cortes - nunca tenho, porque faço todos os cortes com serrote - não me preocupo demais; se necessitar de precisão, acabo-os quase sempre com a plaina... manual, evidentemente! ou com o formão. Sugiro que se habitue às ferramentas manuais - não fazem barulho (muitas vezes à uma ou duas da manhã, se me apetece, pego numa para acertar algum pequeno pormenor), espalham pouco o lixo, não fazem pó e, principalmente, dão muito gozo...

nuno junqueira

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Re: E sai uma mesa para...adivinhem...o engenho de furar!
« Responder #5 em: Quinta, 27 de Fevereiro, 2014, 22:02:16 pm »
TENHO QUE INVESTIR NESSA VERTENTE DE FERRAMENTAS POIS DE MOMENTO SÓ TENHO MAQUINARIA ELETRICA.
NUNO JUNQUEIRA - CONSTANCIA-  SCROLLSAW -NMSBJ@HOTMAIL.COM

GLFaria

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Re: E sai uma mesa para...adivinhem...o engenho de furar!
« Responder #6 em: Sábado, 22 de Março, 2014, 00:33:35 am »
Precisei de uma guia para a mesa do engenho de furar. Não tinha, tive de improvisar, não gostei.

Resolvi fazer uma mais "a sério". Depois de ponderar várias hipóteses, escolhi fazer um sistema de fixação/deslocação baseado no tipo "Biesemeyer" - não é o mais simples, mas era o que satisfazia melhor as minhas necessidades. E, para dizer a verdade, queria experimentá esse sistema. Posso dizer que resulta muito bem.

Como de costume, utilizei principalmente restos da minha "colecção de resíduos" (qualquer dia tenho de começar a comprar material novo...)

Anexo fotografias e um diagrama esquemático.

A guia corre num perfil de alumínio do lado esquerdo, e é apoiada - por meio de uma porca de embeber - numa cantoneira de aço do lado direito. Não fica apoiada na mesa.

Quando em posição, é bloqueada pelo "manípulo" (de contraplacado, com um parafuso M6 de arreigada quadrada) visível do lado esquerdo. O manípulo de plástico preto do lado direito  (aproveitamento de um qualquer equipamento antigo avariado) não será normalmente utilizado - está lá só para se eu sentir a necessidade de travar a guia de ambos os lados.

Como a madeira utilizada para a guia própriamente dita é muito branda - o famigerado pinho do Leroy-Merlin - achei boa ideia revesti-lo com uma régua de alumínio. Para o tipo de aplicação de que se trata, é perfeitamente suficiente.

Se alguém quiser descritivos mais pormenorizados, é dizer.

pajo

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Re: E sai uma mesa para...adivinhem...o engenho de furar!
« Responder #7 em: Sábado, 22 de Março, 2014, 03:16:23 am »
Então é esses entalhes na regua de aluminio!!- são para alguma função especifica??
Se não sabes? -não mexas!
Se não gostas? -não estragues!
Mas isso, NÃO TINHA PIADA NENHUMA!!!

GLFaria

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Re: E sai uma mesa para...adivinhem...o engenho de furar!
« Responder #8 em: Sábado, 22 de Março, 2014, 13:36:55 pm »
Sim, claro.

O entalhe ao meio é para poder aproximar a guia o mais perto possível da bucha, para o caso de precisar de fazer um furo de pequeno diâmetro muito perto do bordo de uma peça. Essas brocas são relativamente curtas, se não tivesse o entalhe a bucha podia não baixar o suficiente para dar a profundidade ao furo (aconteceu-me isso a meio de um furo, com numa guia improvisada que tinha feito para a mesa de origem; tive que desmontar a guia para lhe fazer um entalhe, e depois acertar tudo outra vez para conseguir continuar o furo exactamente no mesmo sítio)

O entalhe mais ao lado direito é para dar passagem ao manípulo do engenho - quando a mesa está muito para cima, em certas circunstâncias o manípulo batia na régua. Claro, se fosse preciso podia desmontar uma das "pegas" para não ter de fazer o entalhe, mas preferi fazê-lo.